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ARGUS-IS: A câmera com a maior resolução do mundo
Ilustração por J. Longo
Tecnologia

ARGUS-IS: A câmera com a maior resolução do mundo

, 03 de janeiro de 2014

A indústria militar é bastante conhecida por desenvolver equipamentos de alta tecnologia. Muitas das coisas que usamos hoje em nosso dia a dia — como, por exemplo, o GPS e a internet — na verdade foram desenvolvidas pensando no uso militar ou, em outras palavras, em como matar proteger alguém da maneira mais eficiente possível.

Um dos muitos projetos em desenvolvimento na DARPA é uma câmera que deixará a sua DSLR cheia de megapixels, com aquela lente lustrosa, repleta de funções e tal morrendo de inveja. O projeto que atende pela sigla de ARGUS-IS desenvolveu uma câmera com resolução de 1.8 gigapixel, tornando-a a câmera com o sensor de maior resolução do mundo.

A demonstração de uma imagem gerada na cidade de Quantico na Virginia feita por Yiannis Antoniades, engenheiro criador do sensor, é de impressionar. A câmera é tão sensacional que mesmo acoplada num Drone voando a 5 mil metros de altura, é capaz de detectar e filmar uma pessoa caminhando ou até mesmo balançando os braços. Tudo o que ocorre dentro de uma área de 24km² é registrado. Colocando em perspectiva, se um Drone com a câmera acoplada estivesse sobrevoando a cidade de Nova York, ele seria capaz de filmar metade de Manhattan!

Para completar a ARGUS-IS exibe todas as imagens em tempo real para uma base em terra, um simples toque na tela de um computador e você pode dar zoom na região escolhida. Além disso ela também armazena tudo o que foi filmado, gerando um milhão de terabytes de dados por dia, só para ter uma ideia, o equivalente a 5 mil horas de uma filmagem em alta resolução. Como se tudo isso já não bastasse, ela rastreia qualquer objeto em movimento, destacando-os em simpáticos quadradinhos coloridos, os tornando belíssimos alvos para um singelo míssil tomahawk.

Exemplo de imagem gerada pela ARGUS-IS

O mais incrível disso tudo é que o sensor foi criado usando 368 sensores de 5 megapixels encontrados na maioria das câmeras de telefone hoje em dia e outras 4 lentes telescópicas estabilizadas. Isso tudo junto é capaz de gerar uma imagem de 18 bilhões de pixels e 24km² detalhada o suficiente para observar um inocente passarinho voando sobre uma cidade.

Como o projeto do Departamento de Defesa americano é confidencial, pouco se sabe sobre o sensor, tampouco se ele já está em uso. Mas é como Alexis Madrigal, jornalista do The Atlantic, bem observou, não deixa de ser assustador imaginar no futuro a câmera na mão de empresas acostumadas em lidar com muitos dados como o Google ou pior ainda, nas mãos de um governo repressivo. Por outro lado a câmera também poderá ser utilizada para o bem, como para a polícia monitorar as áreas com maior incidência criminal e outras coisas do tipo o que me faz acreditar que nunca estivemos tão perto do Big Brother.